Os melhores trechos de 'O Diário de Anne Frank' para refletir
Olá gente bonita, gente que lê. Tudo bem?
Recentemente, li a história de Anne e voltei a pensar na força que pode existir em registrar aquilo que estamos vivendo. Anne Frank recebeu seu diário em 12 de junho de 1942, no aniversário de treze anos. Poucas semanas depois, em 6 de julho, ela e sua família foram para o esconderijo instalado nos fundos do estabelecimento comercial de seu pai, em Amsterdã. Ali permaneceram escondidos durante mais de dois anos, junto com outras quatro pessoas, tentando viver em silêncio enquanto a perseguição aos judeus se intensificava.
Anne escrevia sobre o que acontecia ao seu redor, mas também sobre aquilo que acontecia dentro dela. Medos, conflitos familiares, descobertas, sonhos, irritações, desejos, esperança. É justamente isso que torna sua escrita tão particular: por trás do acontecimento histórico existe uma menina tentando compreender a si mesma e o mundo enquanto o mundo ao seu redor se tornava cada vez mais cruel.
Em 4 de agosto de 1944, o esconderijo foi descoberto. Anne e os demais foram presos e posteriormente deportados. Anne e sua irmã Margot morreram em Bergen-Belsen em fevereiro de 1945, em consequência das condições terríveis do campo e do tifo. Otto Frank foi o único dos oito moradores do esconderijo a sobreviver.
E existe ainda uma parte da história que torna o diário especialmente interessante para quem gosta de literatura. Anne não apenas escrevia para si. Depois de ouvir, em março de 1944, um apelo para que os holandeses preservassem documentos da guerra, ela começou a reescrever seus diários pensando em transformá-los em um livro sobre os anos no esconderijo. Chegou a dar-lhe um título: Het Achterhuis, algo como O Anexo Secreto.
Ela não chegou a publicar o livro. Depois da guerra, Otto Frank reuniu diferentes versões dos escritos de Anne e o diário foi publicado em 25 de junho de 1947. Desde então, a obra atravessou fronteiras e gerações, sendo traduzida para mais de 75 idiomas.
Isso é o que mais me impressiona nessa leitura: Anne queria continuar vivendo através da escrita. E, de certa maneira, conseguiu.
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| Este é o diário oficial de Anne. Hoje, exposto no museu "A casa de Anne Frank" onde foi o esconderijo da família em Amsterdã. |
TRECHOS LITERÁRIOS
Algumas passagens me fizeram parar por alguns instantes. Não necessariamente porque trazem respostas, mas porque revelam uma menina pensando sobre caráter, amor, medo, humanidade e sobre a pessoa que desejava se tornar.
“Para ser franca, não consigo imaginar como alguém poderia dizer ‘Eu sou fraco’ e continuar assim. Se você sabe isso ao seu respeito, por que não luta contra, por que não desenvolve o caráter?”
“A gente não faz ideia de como mudou até que a mudança já tenha acontecido.”
“O homem é grande de espírito, mas mesquinho nas ações.”
“Para amar alguém, a primeira condição é poder admirar — admirar e respeitar.”
“Ninguém quer ver o perigo até que ele aparece cara a cara.”
Uma das coisas que mais me chamam atenção em Anne é que sua escrita não se resume ao relato dos acontecimentos. Ela observava as pessoas e, principalmente, observava a si mesma. Sua escrita registra uma personalidade em formação — uma adolescente tentando entender seus próprios sentimentos, seus relacionamentos, suas contradições e o mundo que lhe havia sido apresentado de maneira tão brutal.
“Ideias, sonhos e esperanças crescem em nós, e depois são esmagados pela dura realidade.”
“Com meu diário, quero dizer que pretendo ir mais adiante; não posso me imaginar vivendo como minha mãe ou a sra. Van Daan e todas aquelas mulheres que cumprem suas obrigações e mais tarde são esquecidas. Eu preciso ter algo mais que um marido e filhos, algo a que possa me devotar totalmente. Quero continuar vivendo depois da minha morte...”
Essa passagem talvez explique uma das razões pelas quais seu diário continua encontrando leitores tantos anos depois. Anne queria escrever. Queria ser lembrada pelo que poderia produzir, não apenas pelas circunstâncias em que viveu e conseguiu.
Também me impressiona a maneira como ela conseguia enxergar a humanidade em meio à própria experiência de perseguição e medo:
“Não acredito que apenas os homens de projeção, os políticos e os capitalistas sejam culpados pela guerra. Não, o homem comum também é... Há uma urgência nas pessoas em destruir e matar, e até que toda a humanidade, sem exceção, passe por uma grande mudança, as guerras se sucederão.”
E então vem uma das frases mais conhecidas de seu diário:
“Apesar de tudo eu ainda creio na bondade humana.”
É uma frase que ganha outro peso quando sabemos de onde veio. Não foi escrita por alguém que desconhecia a crueldade. Foi escrita por uma jovem que conheceu o medo, a perseguição, a privação e a guerra. Por isso, talvez sua esperança seja mais difícil de ignorar.
“Quem tem coragem e fé nunca perecerá na miséria.”
“O melhor de tudo é o que penso e sinto, pelo menos posso escrever; senão, me asfixiaria completamente.”
E há uma última frase que gosto especialmente de guardar:
“Pense em toda beleza que ainda resta em torno de você e seja feliz.”
Uma menina que queria continuar vivendo. É curioso terminar O Diário de Anne Frank sabendo que aquela menina não teve a oportunidade de conhecer a vida que imaginava para si. Ela não chegou à idade adulta. Não se tornou a escritora que pretendia ser da maneira como provavelmente imaginava. Não teve a oportunidade de acompanhar a publicação de seu próprio livro. Mas suas palavras permaneceram.
Hoje, quando lemos Anne Frank, não estamos apenas diante do testemunho de uma adolescente escondida durante a Segunda Guerra Mundial. Estamos diante de uma jovem que escrevia para compreender o que sentia, que pensava sobre quem desejava ser e que, mesmo cercada por uma realidade brutal, ainda conseguia perceber beleza, amor e humanidade.
Talvez seja essa a parte da história que mais permaneça depois que fechamos o livro: a vida pode ser profundamente injusta, e ainda assim uma pessoa pode escolher o que fazer com aquilo que lhe foi possível registrar, pensar e construir. Anne escreveu porque precisava continuar respirando por dentro. E, décadas depois, suas palavras ainda respiram fora dela.

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Beijos e até a próxima.


2 comments
Anália quanto tempo!!! Que saudade. Eu dei uma sumidinha.
ResponderExcluirEu amo esse livro, é maravilhoso mesmo, aprendemos demais com essa história e esses quites que você postou são incríveis.
Beijocas.
https://www.parafraseandocomvanessa.com.br/
Oi Vanessa!!! Quanto tempo meu bem. Fico feliz que você gostou. E bem vinda de volta
ExcluirObrigada por comentar.
Responderei em breve, por isso ative as notificações.